Visão de Futuro
RPPNs Chapada dos Veadeiros 2050
1. INTRODUÇÃO
A Chapada dos Veadeiros é um dos territórios mais simbólicos e biodiversos do Cerrado brasileiro. Localizada no nordeste de Goiás, suas paisagens guardam o encontro de serras, veredas e nascentes que alimentam importantes bacias hidrográficas, sustentando ecossistemas, culturas e distintos modos de vida. Entretanto, a região tem sofrido pressões do mercado agropecuário em expansão pelo Cerrado. Perda de habitats, diminuição de espécies da fauna e da flora e a alteração de corpos hídricos têm sido algumas das ameaças recorrentes que as populações humanas e não humanas vêm enfrentando nos últimos anos. Nesse cenário, as Reservas Particulares do Patrimônio Natural (RPPNs) se afirmam como instrumentos fundamentais da conservação em terras privadas, integrando esforços de proprietárias/os, organizações da sociedade civil e instituições públicas.
Ao longo das últimas décadas, a Chapada se consolidou como laboratório vivo de inovação socioambiental, onde a conservação se combina com o turismo de natureza, a pesquisa científica e a valorização cultural. A criação de 51 RPPNs e o avanço de novas propostas de reconhecimento revelam um movimento crescente de comprometimento com o Cerrado. Essas reservas privadas não apenas conservam ecossistemas, mas também contribuem para o fortalecimento de uma economia de base sustentável.
A Rede de Proprietários de RPPNs da Chapada dos Veadeiros surge, assim, como espaço de articulação, aprendizagem e pertencimento, conectando pessoas e territórios em torno de uma visão comum de futuro. A presente síntese busca traduzir esse horizonte coletivo, integrando o aprendizado obtido nas oficinas participativas, os diagnósticos técnicos realizados e a inspiração das vozes que cuidam do Cerrado.
2. CONTEXTO TERRITORIAL E TRANSFORMAÇÕES
A microrregião da Chapada dos Veadeiros compreende oito municípios — Alto Paraíso de Goiás, Campos Belos, Cavalcante, Colinas do Sul, Nova Roma, Monte Alegre de Goiás, São João d’Aliança e Teresina de Goiás — e abriga um conjunto de áreas protegidas que inclui o Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros, o Parque Estadual Águas do Paraíso, a Estação Ecológica Chapada de Nova Roma, a APA de Pouso Alto e as RPPNs, responsáveis pela proteção de mais de 26 mil hectares de vegetação nativa.
Historicamente marcada por ciclos de mineração e pela agropecuária, a Chapada vive, há algumas décadas, um processo de transição econômica e social. O ecoturismo, aliado à espiritualidade, ao bem-estar e à educação ambiental, tornou-se um dos principais vetores de desenvolvimento da região, estimulando a criação de empreendimentos locais, capacitações e novos arranjos produtivos sustentáveis.
Esse dinamismo, no entanto, convive com desigualdades sociais, carência de infraestrutura e fragilidades da gestão territorial.
Diversos fatores têm impulsionado as mudanças no território, algumas positivas e outras negativas:
- Naturais, como as variações climáticas, a perturbação de ecossistemas e a intensificação das queimadas;
- Econômicos, ligados à expansão do turismo e à especulação imobiliária;
- Sociais, resultantes do crescimento populacional e do fortalecimento cultural das comunidades Kalunga;
- Político-institucionais, com o avanço de políticas de conservação e regularização fundiária;
- Tecnológicos, impulsionados por novas ferramentas de monitoramento, comunicação e pesquisa científica.
Apesar do avanço da proteção ambiental, o território ainda enfrenta pressões intensas do desmatamento, da expansão agropecuária e do parcelamento irregular do solo, que ameaçam a conectividade ecológica e os recursos hídricos. Estudos recentes[1] indicam que os rios do Cerrado podem perder até 34% de sua vazão até 2050 caso persistam as atuais taxas de degradação, o que coloca a Chapada em posição de alerta e de responsabilidade estratégica para a segurança hídrica nacional.
[1] “Cerrado pode perder um terço da água, aponta estudo”. ISPN, 2022. Disponível em: https://ispn.org.br/noticia/cerrado-pode-perder-um-terco-da-agua-aponta-estudo/
3. POTENCIAIS E DESAFIOS
A Chapada dos Veadeiros reúne um conjunto singular de potenciais ecológicos, sociais e econômicos que a tornam referência nacional e internacional. A peculiaridade de seu patrimônio natural e cultural, a multiplicidade de saberes tradicionais e a presença de importantes instituições de ensino e pesquisa na região formam a base de uma paisagem vibrante e resiliente. As RPPNs se inserem nesse contexto como elos entre a conservação pública e privada, reforçando a conectividade ecológica, o monitoramento da biodiversidade e o uso sustentável do território.
Entretanto, o fortalecimento da conservação privada enfrenta desafios persistentes: a regularização fundiária e cartorial ainda é um obstáculo em algumas reservas; há limitações de financiamento e de capacidade técnica; e a comunicação institucional precisa ser ampliada para alcançar novos públicos e aliados. O avanço do agronegócio nas áreas de entorno, o uso irregular do fogo e a presença de espécies exóticas invasoras impõem ameaças constantes à integridade ambiental e ao bem-estar social.
Por outro lado, a região apresenta oportunidades concretas de inovação. O turismo de base comunitária e o ecoturismo responsável seguem ganhando força, valorizando a sociobiodiversidade e gerando renda sustentável para parte da população. Projetos voltados para o pagamento por serviços ambientais, créditos de natureza e manejo integrado do fogo (MIF) se mostram como caminhos promissores para unir a conservação ambiental a uma economia justa. A consolidação de redes, como a Rede de RPPNs da Chapada dos Veadeiros[1], representa um passo fundamental para transformar essas potencialidades em políticas duradouras, estruturadas em ações coletivas.
[1] “Rede de RPPNs da Chapada dos Veadeiros”. Funatura. Disponível em: https://funatura.org.br/rede-de-rppns-da-chapada-dos-veadeiros-e-oficialmente-criada/
4. VISÃO DE FUTURO 2050
Inspirando-se no perfil socioambiental da Chapada dos Veadeiros, as RPPNs da região almejam ser, até 2050, referência mundial de um novo amanhecer para a conservação do Cerrado. Elas serão reconhecidas como modelo de conservação regenerativa e de pesquisa aplicada, economicamente valorizadas e socialmente integradas, onde a proteção da biodiversidade se articulará à valorização das pessoas, dos animais, dos territórios e dos saberes do Cerrado. A paisagem estará restaurada e conectada, com águas protegidas, ecossistemas equilibrados e comunidades protagonistas de um modelo econômico baseado em ciência, inovação e cooperação. As RPPNs formarão um mosaico de governança, pesquisa e aprendizagem contínua, sustentado por práticas transparentes, parcerias sólidas e políticas ambientais eficazes. Elas também serão laboratórios de inovação e exemplos de cidadania, sendo símbolos de orgulho e de pertencimento, não só dos seus proprietários, mas da sociedade em geral.
Como consequência, a Chapada dos Veadeiros será um lugar inspirador, emblema de que é possível aliar conservação, desenvolvimento econômico e bem-estar em harmonia com todas as formas de vida. Essa visão se sustenta no reconhecimento do papel essencial das RPPNs na proteção da biodiversidade, na manutenção dos serviços ecossistêmicos e na promoção de uma economia justa e colaborativa. Enfim, em 2050, a Chapada dos Veadeiros será reconhecida mundialmente como território-símbolo de convivência equilibrada entre os seres humanos e não humanos, tendo a conservação como eixo de desenvolvimento, ciência e espiritualidade. O Cerrado, restaurado e valorizado, pulsará em equilíbrio com suas águas, seus campos e suas veredas, que tão bem definem sua identidade, como bioma protegido pela gestão participativa e por práticas de vida que unirão conhecimento tradicional e inovação permanente.
5. IDEIAS-FORÇA
A construção desse futuro se orienta por valores e princípios que traduzem o espírito da conservação no Cerrado. A conexão e a persistência expressam o desejo de ver paisagens restauradas e interligadas por corredores ecológicos, capazes de garantir o fluxo da vida e a integridade dos ecossistemas. O pertencimento e a coletividade se revelam na atuação conjunta de comunidades, proprietárias/os e instituições que se reconhecem como parte de um mesmo território e compartilham a responsabilidade de cuidar dele. O reconhecimento e o protagonismo desses atores asseguram o equilíbrio ambiental e os serviços ecossistêmicos essenciais ao bem-estar humano por meio da conservação.
A alegria e o propósito traduzem o amor pela natureza em práticas cotidianas de cuidado e regeneração, fortalecendo o sentimento de existir junto ao Cerrado. A inovação e a cooperação impulsionam soluções criativas e colaborativas para desafios coletivos, integrando ciência e saber tradicional. Por fim, a equidade e a diversidade reafirmam o forte protagonismo das mulheres e o respeito aos modos de vida e às culturas locais.
Essas ideias-força refletem um Cerrado que se fortalece pela união, pela solidariedade e pela responsabilidade compartilhada, um bioma que encontra, na cooperação e no cuidado, o caminho para o futuro.
6. CONQUISTAS INTERMEDIÁRIAS (2030–2040)
O caminho até 2050 será trilhado por conquistas progressivas, direcionadas para resultados concretos e transformações culturais que consolidarão a coexistência entre sociedade e natureza. Baseando-se nos resultados das oficinas realizadas com proprietárias/os das RPPNs, em conciliação com os propósitos definidos pelo Marco Global de Kunming-Montreal e pela Estratégia e Plano de Ação Nacionais para a Biodiversidade (Epanb), foi traçado o seguinte percurso intermediário:
- Articular-se para que a visibilidade pública da conservação privada esteja plenamente estabelecida, com as RPPNs reconhecidas como unidades exemplares de manejo e sustentabilidade.
- O número de reservas criadas e regularizadas deverá crescer, fortalecendo a rede de áreas protegidas com planos de manejo implementados e monitoramento contínuo.
- A integração territorial entre reservas e outras áreas protegidas deverá garantir corredores ecológicos funcionais e a conectividade das paisagens, assegurando o fluxo de espécies e a manutenção dos serviços ecossistêmicos.
- A pesquisa científica e a educação ambiental devem ser consolidadas como pilares do conhecimento e do engajamento social, promovendo a cultura de conservação que alia ciência, cidadania e sensibilidade ambiental.
7. CONEXÃO E VÍNCULO
Além da rica biodiversidade, o que torna a região singular é a relação das pessoas com o território da Chapada dos Veadeiros, marcada por profundo vínculo afetivo e espiritual. O Cerrado é mais do que uma paisagem: é casa, refúgio e fonte de inspiração. Ele é lugar de conexão e fortalecimento.
Para as/os proprietárias/os, comunidades e parceiros que o habitam e dele cuidam, conservar é um ato de amor e de retribuição, uma forma de garantir que as águas continuem a correr, que as matas sigam de pé e que o canto dos pássaros nunca silencie.
As RPPNs e demais áreas protegidas são, assim, refúgios onde se experimentam formas alternativas de convivência, em que humanos e natureza são complementares. Cada reserva representa o elo de uma corrente que une diferentes histórias e visões de mundo.
Essa conexão profunda reforça o compromisso coletivo de manter o Cerrado como espaço de vida, memória e futuro, no qual conservar é também existir.
8. CAMINHOS PARA 2050
Por isso, alcançar essa visão de futuro exige percorrer um caminho firmado no comprometimento, no planejamento e na coragem. É preciso integrar esforços, fortalecer políticas públicas e ampliar as alianças entre governos, sociedade civil, comunidades e setor privado.
Entre as ações estratégicas estão:
- Implementar e consolidar a Rede de RPPNs da Chapada dos Veadeiros;
- Aprofundar o manejo integrado do fogo (MIF) como ferramenta de cuidado e regeneração dos ecossistemas, promovendo prevenção, capacitação e compartilhamento de experiências entre reservas;
- Explorar instrumentos de remuneração por serviços ambientais, como CRA, PSA e créditos de natureza;
- Realizar ações conjuntas e eventos de celebração, fortalecendo a identidade da Rede e a visibilidade pública das RPPNs;
- Articular mais parcerias com universidades, órgãos públicos e fundos ambientais, consolidando a base científica e institucional das ações;
- Investir na comunicação e valorização cultural do Cerrado, com campanhas, materiais educativos e divulgação de narrativas inspiradoras;
- Fortalecer as redes de cooperação e conhecimento, promovendo aprimoramento técnico, intercâmbios e inovação;
- Ampliar o número de Reservas Particulares do Patrimônio Natural;
- Implementar e elaborar planos de manejos e planos de uso público das RPPNs existentes;
- Fortalecer o papel das RPPNs como elos importantes na consolidação de corredores ecológicos/mosaicos.
Esse conjunto de ações previstas representa o compromisso das proprietárias e proprietários das RPPNs, das organizações não governamentais envolvidas e dos órgãos públicos em salvaguardar uma das últimas regiões de cerrado.
9. CONSIDERAÇÕES FINAIS
A implantação integrada de ações para a conservação da Chapada dos Veadeiros, especialmente através do potencial da Rede de RPPNs da Chapada, representa novo paradigma de conservação no Cerrado, pautado na cooperação, no protagonismo das/os proprietárias/os e na força transformadora da ação coletiva. Para tanto, é essencial a consolidação da Rede como um núcleo de advocacy, fortalecendo as RPPNs como unidades de conservação e contribuindo com a proteção do Parque Nacional da Chapada dos Veadeiros.
As reservas particulares têm demonstrado que a conservação não é apenas ato técnico, mas é também gesto de amor e cidadania ambiental. Construir essa Visão de Futuro 2050 significa projetar um território onde as RPPNs serão reconhecidas como faróis da conservação, conectando natureza e humanidade, ciência e espiritualidade, economia e ética.
A cada passo, a Rede reforçará que cuidar do Cerrado é cuidar da própria vida e que o futuro desejado começa agora, por meio da cooperação daqueles que escolheram conservar.
Portanto, esse é um chamado para sonhar e construir, juntos, um Cerrado protegido, integrado, diverso e respeitado. Compartilharemos esforços e atuaremos por um território onde conservar significa prosperar e onde o cuidado com a terra é também o cuidado com a vida em sua totalidade.
Future Vision
Private Natural Heritage Reserves (RPPNs) of Chapada dos Veadeiros 2050
1. Introduction
Chapada dos Veadeiros is one of the most symbolic and biodiverse regions of the Brazilian Cerrado. Located in northeastern Goiás, its landscapes bring together mountain ranges, wetlands, and springs that feed important river basins, sustaining ecosystems, cultures, and diverse ways of life. However, the region has been facing increasing pressure from the expanding agribusiness frontier across the Cerrado. Habitat loss, the decline of fauna and flora species, and the alteration of water bodies have become recurrent threats affecting both human and non-human communities in recent years.
In this context, the Reservas Particulares do Patrimônio Natural (Private Natural Heritage Reserves – RPPNs) have become essential instruments for conservation on private lands, integrating the efforts of landowners, civil society organizations, and public institutions.
Over the past decades, Chapada has established itself as a living laboratory of socio-environmental innovation, where conservation intersects with nature-based tourism, scientific research, and cultural appreciation. The creation of 51 RPPNs, along with the steady rise of new proposals for recognition, reflects a growing movement of commitment to protecting the Cerrado. These private reserves not only safeguard ecosystems but also help strengthen a sustainability-driven local economy.
The Network of RPPN Owners of Chapada dos Veadeiros thus emerges as a space for coordination, learning, and belonging, connecting people and territories around a shared vision for the future. This synthesis seeks to articulate that collective horizon, weaving together the insights gathered in participatory workshops, the technical assessments conducted, and the inspiration drawn from the voices of those who care for the Cerrado.
2. Territorial Context and Transformations
The microregion of Chapada dos Veadeiros comprises eight municipalities — Alto Paraíso de Goiás, Campos Belos, Cavalcante, Colinas do Sul, Nova Roma, Monte Alegre de Goiás, São João d’Aliança, and Teresina de Goiás — and includes a set of protected areas such as the Chapada dos Veadeiros National Park, the Águas do Paraíso State Park, the Chapada de Nova Roma Ecological Station, the Pouso Alto Environmental Protection Area (APA), and the RPPNs, which together safeguard more than 26,000 hectares of native vegetation.
Historically shaped by cycles of mining and livestock production, the Chapada has been undergoing an economic and social transition for several decades. Ecotourism — intertwined with spirituality, well-being, and environmental education — has become one of the region’s main drivers of development, fostering local businesses, capacity-building initiatives, and new sustainable production models.
This dynamism, however, coexists with social inequalities, limited infrastructure, and territorial management challenges.
A variety of factors have been driving changes in the territory, some positive and others negative:
- Natural factors, such as climate variability, ecosystem disturbance, and an increase in wildfires;
- Economic factors, linked to the expansion of tourism and real estate speculation;
- Social factors, resulting from population growth and the cultural strengthening of the Kalunga communities;
- Political-institutional factors, associated with advances in conservation policies and land regularization;
- Technological factors, driven by new tools for monitoring, communication, and scientific research.
Despite progress in environmental protection, the region continues to face intense pressure from deforestation, agricultural expansion, and illegal land subdivision, all of which threaten ecological connectivity and water resources. Recent studies[1] indicate that rivers in the Cerrado may lose up to 34% of their water flow by 2050 if current degradation rates persist — placing Chapada in a state of alert and highlighting its strategic responsibility for national water security.
[1] “The Cerrado may lose one-third of its water supply, study shows.” ISPN, 2022. Available at: https://ispn.org.br/noticia/cerrado-pode-perder-um-terco-da-agua-aponta-estudo/
3. Potentials and Challenges
Chapada dos Veadeiros brings together a unique set of ecological, social, and economic assets that make it a national and international reference. The distinctiveness of its natural and cultural heritage, the multiplicity of traditional knowledge systems, and the presence of important educational and research institutions form the foundation of a vibrant and resilient landscape. Within this context, the RPPNs operate as bridges between public and private conservation efforts, strengthening ecological connectivity, biodiversity monitoring, and the sustainable use of the territory.
However, efforts to strengthen private conservation still face persistent challenges: land tenure and registry regularization continue to pose obstacles in some reserves; financial resources and technical capacity remain limited; and institutional communication needs to expand in order to reach new audiences and allies. The expansion of agribusiness in surrounding areas, the irregular use of fire, and the presence of invasive exotic species impose constant threats to environmental integrity and social well-being.
On the other hand, the region offers concrete opportunities for innovation. Community-based tourism and responsible ecotourism continue to gain momentum, valuing sociobiodiversity and generating sustainable income for part of the population. Initiatives focused on payment for environmental services, nature-based credits, and Integrated Fire Management (MIF) have emerged as promising pathways to unite environmental conservation with a fair economy. The consolidation of networks — such as the Chapada dos Veadeiros RPPN Network[1] — represents a crucial step toward transforming these potentials into lasting policies grounded in collective action.
[1] “Chapada dos Veadeiros RPPN Network.” Funatura. Available at: https://funatura.org.br/rede-de-rppns-da-chapada-dos-veadeiros-e-oficialmente-criada/
4. Future Vision 2050
Drawing inspiration from the socio-environmental profile of Chapada dos Veadeiros, the region’s RPPNs aspire to become, by 2050, a global benchmark for a new dawn in Cerrado conservation. They will be recognized as models of regenerative conservation and applied research, economically valued and socially integrated — places where biodiversity protection is woven together with the appreciation of people, animals, territories, and the ancestral knowledge of the Cerrado.
The landscape will be restored and interconnected, with protected waters, balanced ecosystems, and communities leading an economic model based on science, innovation, and cooperation. The RPPNs will form a mosaic of governance, research, and continuous learning, supported by transparent practices, strong partnerships, and effective environmental policies. They will also serve as laboratories of innovation and examples of engaged citizenship, standing as symbols of pride and belonging — not only for their owners, but for society as a whole.
As a result, Chapada dos Veadeiros will become an inspiring place, a testament that it is possible to harmonize conservation, economic development, and well-being for all forms of life. This vision rests on recognizing the essential role of RPPNs in safeguarding biodiversity, maintaining ecosystem services, and promoting a fair and collaborative economy.
Ultimately, in 2050, Chapada dos Veadeiros will be globally recognized as a symbolic territory of balanced coexistence between human and non-human beings, with conservation as the guiding axis for development, science, and spirituality. The Cerrado — restored, respected, and valued — will pulse in harmony with its waters, grasslands, and wetlands that so deeply define its identity, protected through participatory management and ways of living that unite traditional knowledge with ongoing innovation.
5. Guiding Principles
The construction of this future is grounded in values and principles that capture the spirit of conservation in the Cerrado. Connection and persistence express the aspiration to see restored landscapes linked by ecological corridors capable of sustaining the flow of life and the integrity of ecosystems. Belonging and collective action emerge from the joint efforts of communities, landowners, and institutions that recognize themselves as part of the same territory and share the responsibility of caring for it. The recognition and leadership of these actors ensure environmental balance and the ecosystem services essential to human well-being through conservation.
Joy and purpose transform love for nature into everyday practices of care and regeneration, reinforcing the feeling of coexisting with the Cerrado. Innovation and cooperation drive creative and collaborative solutions to collective challenges, integrating scientific knowledge with traditional wisdom. Finally, equity and diversity reaffirm the strong leadership of women and the respect for local cultures and ways of life.
These guiding principles reflect a Cerrado strengthened by unity, solidarity, and shared responsibility — a biome that finds, in cooperation and care, its path toward the future.
6. Intermediate Milestones (2030–2040)
The journey toward 2050 will unfold through gradual achievements, aimed at concrete results and cultural transformations that will consolidate the coexistence between society and nature. Based on the outcomes of the workshops held with RPPN landowners, and aligned with the goals defined by the Kunming-Montreal Global Biodiversity Framework and Brazil’s National Biodiversity Strategy and Action Plan (EPANB), the following intermediate path has been outlined:
- Ensure that private conservation gains full public visibility, with RPPNs recognized as exemplary units of management and sustainability.
- Increase the number of established and regularized reserves, strengthening the network of protected areas with implemented management plans and continuous monitoring.
- Promote territorial integration between reserves and other protected areas, securing functional ecological corridors and landscape connectivity to maintain species flow and ecosystem services.
- Consolidate scientific research and environmental education as pillars of knowledge production and social engagement, fostering a conservation culture that weaves together science, citizenship, and environmental awareness.
7. Connection and Belonging
Beyond its rich biodiversity, what makes the region truly unique is the relationship people have with the territory of Chapada dos Veadeiros — a relationship marked by deep emotional and spiritual ties. The Cerrado is more than a landscape: it is home, refuge, and a source of inspiration. It is a place of connection and renewal.
For landowners, communities, and partners who inhabit and care for it, conserving the Cerrado is an act of love and reciprocity — a way to ensure that the waters keep flowing, that the forests remain standing, and that the birdsong never falls silent.
The RPPNs and other protected areas are therefore sanctuaries where alternative ways of coexistence can flourish, where humans and nature complement one another. Each reserve is a link in a chain that unites different histories and worldviews.
This profound connection reinforces the collective commitment to keep the Cerrado as a space of life, memory, and future — where to conserve is also to exist.
8. Pathways to 2050
Achieving this future vision requires walking a path founded on commitment, planning, and courage. It calls for coordinated efforts, stronger public policies, and expanded alliances among governments, civil society, communities, and the private sector.
Key strategic actions include:
- Implementing and consolidating the Chapada dos Veadeiros RPPN Network;
- Expanding Integrated Fire Management (MIF) as a tool for ecosystem care and regeneration, promoting prevention, training, and knowledge-sharing among reserves;
- Advancing tools for payments for environmental services, such as CRA, PSA, and nature-based credits;
- Carrying out joint initiatives and celebratory events to strengthen the Network’s identity and raise the public visibility of RPPNs;
- Building new partnerships with universities, public agencies, and environmental funds, reinforcing the scientific and institutional foundation of these actions;
- Investing in communication and cultural appreciation of the Cerrado through campaigns, educational materials, and the dissemination of inspiring narratives;
- Strengthening cooperation and knowledge networks, promoting technical improvement, exchanges, and innovation;
- Increasing the number of Private Natural Heritage Reserves;
- Developing and implementing management plans and public-use plans for existing RPPNs;
- Reinforcing the role of RPPNs as key links in the consolidation of ecological corridors and mosaics.
This set of actions represents the shared commitment of RPPN landowners, partner NGOs, and public institutions to safeguard one of the last strongholds of the Cerrado.
9. Final Considerations
The integrated implementation of conservation actions for Chapada dos Veadeiros — particularly through the potential of the Chapada RPPN Network — represents a new conservation paradigm for the Cerrado, grounded in cooperation, landowner leadership, and the transformative power of collective action. To achieve this, it is essential to consolidate the Network as an advocacy hub, strengthening RPPNs as conservation units and contributing to the protection of Chapada dos Veadeiros National Park.
Private reserves have shown that conservation is not only a technical act but also a gesture of love and environmental citizenship. Building this Future Vision 2050 means envisioning a territory where RPPNs are recognized as beacons of conservation, connecting nature and humanity, science and spirituality, economy and ethics.
Step by step, the Network will reaffirm that caring for the Cerrado is caring for life itself — and that the desired future begins now, through the cooperation of those who have chosen to conserve.
This is therefore a call to dream and build together a Cerrado that is protected, interconnected, diverse, and respected. We will join efforts and work toward a territory where conserving means thriving, and where caring for the land is inseparable from caring for life in its fullness.